É, nestas noites acordado...a olhar para dentro que me descubro por entre um emaranhado de obscuridades...coisas que rolam na minha cabeça sem nunca procurarem uma saída...ameaçando progressivamente a passividade da minha alma.
noites como esta que só me dá vontade de enfiar os pés na areia, mergulhar o olhar na profundeza do céu estrelado e sentir a magia do mar em mim...embalando.me por entre pensamentos...desejos impossíveis...e revoltas intermináveis.
tudo em mim permanece num sigilo sombrio, carregado de lágrimas descabidas, deslocadas dos contextos, borratando assim o caminho da simplicidade da minha vida.
é, nestas noites que o meu livro se abre para se rabiscar mais umas palavras carregadas de significado, vincadas com um amargo sentido de impotência...
na escuridão destas noites as minhas asas são negras como o breu apenas contornadas por uma luz suave da doce lua que me observa...perco na escuridão o rasto das minhas pegadas...sinto.me reconfortado mas ao mesmo tempo sinto.me perdido no paradigma da vida.
o tempo pára, apenas permanece aquele constante som alucinante das ondas as deslizar pela areia até tocar na ponta dos dedos dos pés...dando a sensação que tu,meu mar profundo, me compreendes sem dizeres uma única palavra...com a melodia das tuas ondulações fazes.me flutuar por entre os meus pensamentos mais íntimos...mais sensíveis...e cada vez mais obscuros.
são nestas noites que...me perco dentro de mim.
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